sexta-feira, 1 de setembro de 2017

OFERENDA

O sentido da oferenda na Umbanda

Para melhor compreensão e para acabar com a crítica, a explicação do sentido da oferenda na Umbanda terá uma comparação com a Santa Ceia do catolicismo.

Segundo a história do Mestre Jesus na Bíblia Sagrada, um dia antes de sua prisão Cristo realizou uma ceia onde reuniu seus apóstolos proferindo as seguintes palavras:

“Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. 
Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim” (1 Coríntios 11:24-25).

Lendo estas belas passagens da Bíblia Sagrada podemos entender que a Santa Ceia foi um ritual “Mágico” na qual Mestre Jesus ensinou aos apóstolos um ritual para que eles pudessem se conectar à força espiritual de Cristo que vos levaria a Deus.
Neste ritual, Cristo transforma o pão em sua carne e o vinho em seu sangue, ambos elementos sagrados que purificariam e uniriam seus apóstolos ao amor e fé do Mestre Jesus. Mas, olhando com atenção esse ritual, Cristo transforma simples alimentos em componentes mágicos, assim despertando o lado sagrado da vida, o lado sagrado do alimento, da bebida, da união.
Agora, com isso em mente, voltamos nossa atenção para os rituais de Umbanda, sendo as oferendas um dos rituais mais criticados por quem não tem conhecimento sobre nossa religião.

As oferendas são criticadas por acharem que é um desperdício de alimento. As oferendas são oferecidas às Divindades (Orixás) para “n” motivos que os seres humanos necessitem no momento e estas oferendas de alimentos ou as mesas feitas dentro dos Terreiros de Umbanda com alimentos que homenageiam os Guias têm o mesmo sentido que a Santa Ceia, pois o mesmo ato que Cristo teve ao consagrar aquele alimento aos seus apóstolos, também nós fazemos com os alimentos e bebidas em nossas oferendas; nós as consagramos aos Orixás, pedindo que irradiem suas energias vivas e divinas para que possam ser direcionadas em nossas vidas, nos trazendo paz, conforto, amor, entre outros sentimentos.

Mas também é importante frisar que toda oferenda ou mesa pode e deve ser aproveitada pela comunidade ou pelo Terreiro, assim não desperdiçando o axé ali imantado.
Da mesma forma que a oferenda de alimentos tem o mesmo sentido que a Santa Ceia, também tem o mesmo sentido a bebida que os Guias bebem com o cálice que Cristo ofereceu aos seus apóstolos. 
No momento que Cristo oferece o vinho a todos, ele consagra e transmuta o vinho, virando assim uma bebida purificadora e assim também é nos Terreiros de Umbanda, pois quando um Guia pega seu copo e faz seus rituais de consagração, nesse momento aquela bebida deixa de ter um significado pejorativo e passa a se tornar um líquido mágico, composto por energias fortes, capazes de purificar energias densas internas tanto do médium incorporado como do consulente em atendimento.

Lembrando que os Guias de Umbanda bebem por um fundamento já difundido na Umbanda e não porque Jesus o fez. As oferendas por si antecedem o nascimento de Cristo e sempre foram um ritual de agradecimento que hoje na Umbanda também já é fundamentada e bem difundida no meio.

Fonte: Nikolas Peripolli (Umbanda eu curto) e Luz Divina

COM QUE COR?

Com que cor eu vou?

Sabemos da importância que as cores têm na nossa vida. Elas influenciam nosso estado de espírito, humor, vitalidade.
A cromoterapia estuda e aplica as cores para as pessoas, de acordo com a necessidade, o objetivo e a função. Cada cor tem sua finalidade. E nós, umbandistas, sabemos muito bem disso, pois cada Orixá e cada Linha tem sua cor...

Para saber que cor usar você pode escolher pelo significado de cada cor ou então por sua cor pessoal. 

Veja o significado de cada cor:


Cada cor tem uma frequência e, sabendo qual é a cor que está relacionada com a energia do seu número pessoal na entrada do Ano Novo, você vibra positivamente essa passagem impulsionando sua vida em 2016. Se preferir escolher a sua cor pessoal, você deve somar o dia de seu aniversário + o mês do seu aniversário + o número 1 (todas as pessoas devem somar o número 1 ao dia e mês de aniversário).

Exemplo: se você fez aniversário em 19 de Fevereiro:
1+9+2+1= 13 > 1+3= 4
Sua energia para a noite de Reveillon é 4

Consulte abaixo o seu número para saber a cor a ser usada com sua energia para a entrada no Ano Novo 2016­­­:
01 – VERMELHO
Seu desejo é começar o ano em grande estilo. Você estará cheio de ideias para fazer um grande movimento em sua vida. Dinamismo é o que não faltará! Sua energia vai estar no auge para você tomar as decisões para o ano que se aproxima. Ter confiança em si mesmo é fundamental. Você é independente e tem a oportunidade de se desvencilhar de tudo o que o segura.  Inicie 2016 com o sentimento de confiança, ousadia, determinação e iniciativa.
02 – LARANJA
Esta noite de réveillon terá o encantamento do amor.  Compartilhar os momentos de alegria é o mais importante para você nesse momento. Ter alguém com quem brindar, trocar confidências, abraçar é seu mais profundo desejo. Se você estiver com uma companhia um vai querer viver com o outro, para sempre!  Promessas de amor e  laços afetivos os unirão. Criatividade em alta!
03 – AMARELO
Sua noite de réveillon será de alegria, música e encontro com muitas pessoas. Você entra no Ano Novo com otimismo e esperança de um futuro feliz. Este é um momento para ser comemorado com festa. Reúna os amigos. Conheça novas pessoas. Passar essa noite em uma viagem é uma boa ideia!  Escolha um visual bem bonito, que seja uma marca pessoal. Sua alegria e esperança no futuro irão contagiar os outros fazendo dessa uma grande comemoração!
04 – VERDE
Você estará decidido e cheio de objetivos para o ano que vem. Quer se dedicar à concretização de seus sonhos mais incríveis. Nesta noite faça sua lista de desejos e concentre seu pensamento  imaginando alcançá-los, um a um. Você quer segurança e poderá preferir passar essa noite em companhia de amigos, em algum lugar conhecido, como na sua casa. Você deseja paz e harmonia nesta noite da virada. Somente família, os amigos do peito, só gente em que você confia.
05 – AZUL CLARO
Você tem muitas ideias e deseja grandes mudanças em sua vida no próximo ano. Por isso irá preferir, nesta noite,  um programa bastante diferente, em algum lugar que você nunca tenha estado e com pessoas divertidas.  O objetivo é não passar a virada do ano de maneira convencional. E você vai querer mudar a sua maneira de vestir. Nada de roupa comum! Você estará participando com grande alegria e criatividade neste momento único de mudança de energia do ano, pronto para fazer o que você tanto deseja no seu futuro.
06 – AZUL ROYAL
Na noite de réveillon você estará com o coração aberto para o amor. Sua vontade é estar unido pelo afeto, trocando palavras carinhosas junto às pessoas que você ama.  Por isso, a energia será propicia para você passar esta noite com a sua cara metade ou sua família, num ambiente de bastante calor humano. Flores, jantar a luz de velas, champanhe, musica romântica.  Use uma roupa elegante que provoque suspiros de admiração. Use cetim, seda e adamascados, em que o azul possa ser uma das cores.
07 – LILÁS
A passagem de ano para você traz uma renovação da energia interna, que é só sua, valorizando a si mesmo.  Um ambiente de quietude, mais tranquilo e sereno, que lhe permita fazer uma reflexão sobre o passado e o futuro ano seria ideal para passar o réveillon. Paraísos ecológicos, spas esotéricos, um evento místico, um mergulho no mar a meia-noite, ou ainda ficar contemplando as estrelas do céu, tudo isso faz com que você se conecte consigo mesmo. Escolha muito bem as pessoas que estarão com você. Aproveite esse dia para visualizar na sua mente o que você deseja para o próximo ano. Esses pensamentos irão criar situações positivas e se concretizar.
08 – MARROM (ou BEGE)
Você entra no próximo ano planejando o seu próspero futuro. Sim, você sabe que se depender de vontade e determinação seu ano será maravilhoso! Na noite de réveillon, você se sentirá capaz de tomar grandes decisões. Sua mente estará repleta de sonhos possíveis de serem realizados. Você estará transbordando de energia e com muita vontade. Vai escolher a dedo o lugar e a companhia para passar esta noite. É bem provável que escolha  um ambiente sofisticado, com boa comida, muito bem decorado e ótimo serviço, à altura da sua exigência e ambição.
09 – ROSA
Nesta passagem de ano você estará em um ponto de transição entre o que foi e o que será. Com grande motivação, você desejará ampliar o seu horizonte com novos desafios. Uma retrospectiva e irá colocar um ponto final em tudo o que vem impedido que você viva o futuro de maneira livre. Vai ser muito bom estar com amigos antigos, colegas de escola, da vizinhança, comentando e dando boas risadas. Viaje para um lugar que marcou a sua vida, reviva o passado, chame parentes distantes e promova um reencontro. Resolva pendências, esclareça fatos e perdoe.
FONTE: LIBERATO E LUZ DIVINA

OGUM

Ogum iê!


Ogum é o Orixá que rege as batalhas. Todos os instrumentos são consagrados a Ogum, uma vez que, acima de tudo, é ele o Orixá da forja e da metalurgia, processo de manipulação dos metais.
Por isso, um dos símbolos deste Orixá são as sete ferramentas juntas, que representam exatamente este poder sobre os metais, em especial o ferro, considerado o metal negro, símbolo da relação de Ogum com o elemento terra.
Entendemos Ogum, acima de seu papel mitológico, como o impulso Divino primordial. Este Orixá é a força que rege todo início de movimento, força que rompe a barreira estática de todo início de processo. Quem não percebe que o começo de um processo pode parecer lento e difícil, mas que a continuidade de um processo já iniciado não parece tão maçante assim? É Ogum aquela energia que possibilita o início do que quer que seja. É a explosão inicial e a quebra do equilíbrio estático.
Também em Ogum vemos uma forte relação com todos os Orixás. Ele é considerado um dos Orixás mais antigos, já que estava lá quando tudo foi iniciado. É considerado a força irmã da energia de Exu (o movimento), sendo que Exu e Ogum andam sempre juntos.
Ogum é o Orixá do movimento e do impulso. Sua energia se relaciona com todo processo de revolta que gera uma mudança em relação ao padrão anterior. É a energia da conquista que não se preocupa com a manutenção do conquistado. Por isto, diz-se que Ogum é a figura mitológica do grande guerreiro, o grande general que lidera e vence todas as batalhas. O guerreiro valente e impulsivo que, com sua ira e suas armas, submete todos os inimigos e derruba todos os obstáculos.
É um Orixá fortemente relacionado com os elementos terra e fogo, este último mais comum em nossa Umbanda e explicitado pela cor deste Orixá, o vermelho. O branco também atribuído a Ogum mostra sua relação primordial com a Criação, enquanto impulso original de todo o criado.
O modelo do arquétipo demonstrado pelos filhos de Ogum é o das pessoas rebeldes, briguentas e impulsivas. Que perseguem energeticamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Possuem humor mutável, passando por furiosos acessos de raiva ao mais tranquilo dos comportamentos. É o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas. Os filhos de Ogum nada temem, são atléticos, agressivos e de mau humor, conquistadores, rápidos, agem sem pensar, ofendem-se facilmente, insistem naquilo que desejam, emotivos, impacientes, brigões, arrependem-se facilmente, gostam de comer bem e de beber, temperamento difícil e com muita iniciativa. Os filhos de Ogum não podem ter vícios, principalmente com bebidas e drogas. Não conseguem falar manso, gostando das disputas até no falar. São práticos e não são egoístas, gostando de fazer doação de suas coisas. São apaixonados por viagens, mudanças de endereços, curiosos, adoram inovações tecnológicas. Ogum rege, no corpo humano, o sistema nervoso, as mãos, os pulsos e o sangue. As doenças mais associadas a Ogum são relacionadas às articulações, aparelho digestivo e fígado.
Ogum toma a vanguarda, vai na frente dos outros, o que precede, é o símbolo do primogênito que, através de sua agressão, abre o caminho para quem o segue. É um desbravador em todo o sentido do termo. Por estas características, anda e trabalha junto com Exu, indo na frente, abrindo caminho para Exu passar e trabalhar no Baixo Astral, nas zonas umbralinas, ajudando a combater o mal e defende os Exus dos ataques dos kiumbas nos locais sombrios. Assim, em toda firmeza para Exu, Ogum faz a ronda, também fazendo papel de guardião.
É o protetor dos militares e guerreiros. Tem ânsia de conquistas, mesmo que não tenha nenhuma estratégia, o que o difere de Xangô. Diz-se que Ogum não pede, Ele toma. Tem grande dificuldade de manter as suas conquistas. Ogum é um excelente executor de ideias; é impaciente, sincero, violento e brigão. Abre os caminhos junto com Exu. É objetivo. É o senhor das contendas sempre atacando pela frente, de peito aberto. Sabe armar arapucas para pegar o inimigo.
É o Senhor dos objetos cortantes e armas de fogo. Carrega a força de qualquer impacto, vibrando em todos os momentos impactantes. É o que ferve o sangue. Está presente no calor das coisas, principalmente no fogo. É a força instintiva de Marte, sendo este o planeta regente desse Orixá. Padroeiro de todos aqueles que manejam o ferro, como lanterneiros, maquineiros e ferreiros. Ogum é o símbolo do trabalho, da atividade de criação e expansão.
Ogum representa ou se manifesta através da luta pela sobrevivência e por isso está associado à defesa de todos os reinos, além de estar diretamente associado ao início de tudo, ao novo, à conquista.
Ao encontrarmos a energia do Orixá Ogum, cujo elemento é o fogo, manifestando-se no reino do Orixá Omulu - que é a terra, o chão, o solo, através do calor do sol e traduzimos isso para a calunga pequena ou cemitério, que em termos ritualísticos de Umbanda é o reino de Omulu - temos a formação do desdobramento de Ogum, chamado de Ogum Megê. Ou seja, é o Orixá Ogum atuando na defesa do reino do Orixá Omulu em combinação vibratória com o mesmo, formando este desdobramento de Ogum. É o Ogum magista, ou seja, conquista/defesa através da magia.
Quando o Orixá Ogum manifesta-se na defesa do reino de Xangô, encontramos o desdobramento chamado de Ogum de Lei, ou seja, combinação vibratória do Orixá Ogum com o Orixá Xangô. Em nível de necessidade nossa de terra (ou terreiro) é quando Ogum atua na execução de justiça. É o Ogum da ponderação, ou seja, conquista/defesa através da ponderação, da estratégia.
Ao cruzamento vibratório do Orixá Ogum com o Orixá Oxossi dá-se o nome de Ogum Rompe-Mato. É o Ogum do imediatismo, ou seja, conquista/defesa através da expansão.
Ao cruzamento vibratório do Orixá Ogum com a Orixá Oxum, ou seja, Ogum atuando na defesa dos rios e cascatas, dá-se o nome de Ogum Iara. É o Ogum da diplomacia, ou seja, conquista/defesa através da concórdia, diplomacia.
 E o Orixá Ogum atuando na defesa do reino de Iemanjá, juntamente com a Orixá Iansã (ação sazonal dos ventos e tempestades causando a turbulência das ondas) dá-se o nome a esta manifestação de Ogum Beira-Mar. É o Ogum do inesperado, ou seja, conquista/defesa através de ações inesperadas.
Uma observação importante a se fazer é que cada vez que um Orixá se desdobra por combinar-se com outro, ele absorve algumas de características do Orixá com o qual se combinou, gerando e atendendo assim outras necessidades nossas.
Especificando:
Ogum Megê – este desdobramento de Ogum, gerado pela união dos elementos terra (Omulu) e fogo, está presente nos assuntos atinentes a desmanche de magia.
Ogum de Lei – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a execução de justiça.
Ogum Iara – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a conquistas diplomáticas.
Ogum Rompe Mato – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos pertinentes a coisas de solução rápida, revigorantes e de conquista de espaço de maneira geral.
Ogum Beira Mar – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a conquista material e de fortuna.
Estas são as manifestações mais comuns que se apresentam nos terreiros e são considerados chefes de linha, outras encontradas em nível de terreiro são consideradas desdobramentos destes desdobramentos.

Em função de sua característica básica de luta e guerra, o Orixá Ogum foi associado ao planeta Marte, que rege a terça-feira, e por extensão é o dia da semana em que cultuamos Ogum na Umbanda. O dia em que homenageamos Ogum é 23 de abril. Na Umbanda é sincretizado com São Jorge, mas NÃO é este Santo! Suas cores são o vermelho e branco. Seus domínios são as estradas, encruzilhadas, cachoeiras e o mar. Seu Amalá é a feijoada feita de feijão fradinho ou feijão vermelho.

Ogum iê, meu Pai! Saravá!

FONTE: LUZ DIVINA

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Caboclo na cultura brasileira e na Umbanda

O Caboclo das Sete Encruzilhadas, incorporado no seu médium Zélio Fernandino de Moraes, foi a primeira entidade a se manifestar na Umbanda, fundando a religião. Neste dia, foi observado que ele estava com vestes de sacerdote católico e, plasmado como tal, quando questionando por um médium clarividente sobre esta condição, o Caboclo afirmou ter sido, em uma de suas encarnações, o Frei Gabriel de Malagrida e que, na última encarnação, havia tido a oportunidade de encarnar como um índio brasileiro, e que era como índio que ele queria ser identificado.
Assim, em sua primeira manifestação de Umbanda, a entidade se manifestou como Caboclo e ao mesmo tempo ficou claro que desta forma se apresentou por opção (e não por falta de opção).Identificou-se como um espírito muito esclarecido e que facilmente seria reconhecido como autoridade no mundo material, mas preferiu a identificação humilde e despersonalizada de “caboclo brasileiro”. Surge então o questionamento do que realmente quer dizer a palavra Caboclo em nossa cultura e na Umbanda, de forma mais específica.
O dicionário Aurélio nos diz que Caboclo é:
1. Mestiço de branco com índio; cariboca, curiboca. 2. Antiga designação do indígena. 3. Caboclo de cor acobreada e cabelos lisos; caburé. 4. Sertanejo.
Um dos maiores pesquisadores, se não o maior, de nossa cultura, folclore e suas influências, Luiz da Câmara Cascudo, em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, onde aparece o verbete Caboco (assim mesmo sem o l de caboclo), descreve:
O indígena, o nativo, o natural; mestiço de branco com Índia; mulato acobreado, com cabelo corrido. Morais fazia provir de cobre, cor de cobre, avermelhado. Diz-se comumente do habitante dos sertões, caboclo do interior, terra de caboclos, desconfiado com caboclos. Foi vocábulo injurioso e El-Rei Dom José de Portugal, pelo alvará de 4 de abril de 1755, mandava expulsar das vilas os que chamassem os filhos das indígenas de caboclos: “Proíbo que os ditos meus vassalos casados com as índias ou seus descendentes sejam tratados com o nome de cabouçolos, ou outro semelhante que possa ser injurioso.” Macedo Soares registra a sinomínia tradicional do caboclo: caburé, cabo-verde, cabra, cafuz, curiboca, cariboca, mameluco, tapuia, matuto, restingueiro, caipira. Da antiga denominação de cabocloaos mestiços avermelhados ainda há a imagem da cor maribondo caboclo, boi caboclo, formiga cabocla, pomba cabocla, todas com tonalidades vermelhas ou tijolo. Era até fins do séc. XVIII, o sinônimo oficial de indígena. Hoje indica o mestiço e mesmo o popular, um caboclo da terra. Discute-se ainda a origem do vocábulo, indígena ou africano. Folclore: Gustavo Barroso (Ao som da Viola, Rio de Janeiro, 1921) fixou o “Ciclo dos Caboclos” (403-419) com documentário poético e anedotal.
O caboclo no folclore brasileiro é o tipo imbecil, crédulo, perdendo todas as apostas e sendo imcapaz de uma resposta feliz ou de um ato louvável. Gustavo Barroso lembra que essa literatura humilhante é toda de origem branca, destinada a justificar a subalternidade do caboclo e o tratamento humilhante que lhe davam. Os episódios vem, em boa percentagem de fontes clássicas, com a mera substituição da vítima escolhida. O caboclo é o Manuel tolo, o Juan tonto europeu, aclimatado no continente americano com o nome de João bobo, uma espécie de sábio de Gothan. Há muitas histórias em louvor do caboclo, sua inteligência, registradas no citado livro, assim como no de José Carvalho (um matuto cearense e o caboclo do Pará, 9-15, Belém, 1930). Namoro de caboclo é aquele em que a namorada ignora quem é seu apaixonado. Num outro episódio entre o caboclo, o padre e o estudante, repete-se o motivo do melhor sonho (Mt-1626, de Aarne-Thompson). Quem tiver o mais bonito sonho comerá o queijo. Pela manhã o padre descreveu a ascensão para o Céu; o estudante sonhara com o próprio paraíso. O caboclo informou que, ven¬do um dentro do Céu e outro já perto, comera o queijo, porque ambos não mais precisariam. E tinha comido mesmo (Gustavo Barroso, 413-414). É a fábula XVII do Displina Cléricalis, de Padre Afonso (1062-1110), entre dois burqueses e um camponês, a caminho de Meca. Um dos divulgadores da novelística ita¬liana foi Geraldo Sintio (um romano, numero 3 do Ecatommt), que a diz sucedida em Roma, no ano de 1527, com um filósofo, um astrólogo e um soldado. O tema está em quase todos os idiomas, formas e literaturas, dispensando bibliografia ilustradora. O caboclo aceitou, com a sujeição física, essa popularidade pejorativa para oficializar a inferioridade de seu estado (Luiz da Câmara Cascudo, 30 Estória Brasileiras, “O Preço do Sonho”), 30-32, Porto, 1955.
Deveríamos escrever Caboco, como todos pronunciam no Brasil, e não Caboclo, convencional e meramente letrado. Caboco vem de Caá, Mato, Monte, Selva; e Boc, Retirado, Saído, Provindo, Oriundo do Mato, exata e fiel imagem da impressão popular, valendo o nativo, o indígena, caboco´bravo, o roceiro, o matuto´bruto, chaboqueiro, bronco, créduo, mas, vez por outra, astuto, finório, disfarçado, zombeteiro. Cabôco, e a pronuncia nacional, mesmo para os letrados que escrevem “caboclo”, Caá-Boc, tirado ou procedente do mato, registra Mestre Thedóro Sampaio.
Depois de toda esta explicação de Câmara Cascudo, fica claro o que quer dizer a figura do Caboclo em nossa cultura. Com a dizimação do índio em nosso convívio, o tempo vai dissociando sua imagem da palavra e cada vez mais o vocábulo caboclo vai se tornando na figura de linguagem um homem simples.
Os espíritos que militam na Umbanda se dividem em falanges ou povos, sejam de caboclos ou de Pretos Velhos, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Crianças, Ciganos, Exu e Pombagira.  Vemos uma identificação despersonalizada de ego que caracteriza aqueles que estão acima da identidade individual, ou seja, as entidades na maioria das vezes não usam seus nomes de batismo, estando aquém de qualquer identificação; transcenderam a individualidade. São muitos espíritos que usam o mesmo nome como: Pena Branca, Pena Verde, Pena Roxa, Pena Vermelha, Pena Dourada, Flexa Branca, Folha Branca, Sete Flexas, Sete Penas, Sete Folhas, Sete Montanhas, Ventania, Rompe Mato, Urubatão, Ubirajara, Aimoré, Tupinambá, e outros.  Chegamos até a encontrar num mesmo Terreiros dois ou mais Caboclos que usam o mesmo nome, pois não é seu nome como indivíduo, e sim, um nome que identifica seu trabalho e a força que o rege. Por exemplo: Pena Branca é de Oxóssi e Oxalá; Pena Dourada é de Oxóssi e Oxum; Sete Montanhas de Xangô; Ubirajara de Oxóossi e Ogum, etc.
Caboclo é um Mistério na Umbanda, uma linha de trabalho, uma falange, um grau, o identificador de entidades que trabalham nesta vibração que está ligada ao Orixá Oxossi, o Orixá das Matas. Existem Caboclos de todos Orixás e todos têm algo em comum que os identificam como tal presentes em sua forma de apresentação.
Nossa essência, nosso espírito, não têm cor e nem raça. Muitos podem entender o que isto quer dizer, mas viver assim só é possível para aqueles que já se desapegaram da matéria e de sua individualidade, não vivem ou trabalham apenas para si e sim para o todo. Assim são os Caboclos. Poderíamos escrever páginas e páginas falando sobre o Caboclo na Umbanda, mas talvez o mais importante é que eles não sejam subestimados, pois apenas uma coisa é certa: embora não pareça, todos eles são muito mais que Caboclos. Fato que apenas não é visível ao leigo, pois como Caboclos, foi apenas a forma que eles escolheram para se manifestar.
FONTE:http://umbandaeucurto.com/alexandre-cumino

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

ASSOBIOS E BRADOS



Quem nunca viu caboclos assobiarem ou darem aqueles brados maravilhosos, que parecem despertar alguma coisa em nós?

Muitos pensam que são apenas umas repetições dos chamados que davam nas matas, para se comunicarem com os companheiros de tribo, quando ainda vivos. Mas não é só isso.

Os assobios traduzem sons básicos das forcas da natureza.
Estes sons precipitam assim como o estalar dos dedos, um impulso no corpo Astral do médium para direcioná-lo corretamente, afim de liberá-lo de certas cargas que se agregam, tais como larvas astrais, etc.

Os assobios, assim como os brados, assemelham-se à mantras; cada entidade emite um som de acordo com seu trabalho, para ajustar condições especificas que facilitem a incorporação, ou para liberarem certos bloqueios nos consulentes ou nos médiuns.
ESTALAR DE DEDOS
Por que as entidades estalam os dedos, quando incorporadas?

Esta é uma das coisas que vemos e geralmente não nos perguntamos, talvez por parecer algo de importância mínima.

Nossas mãos possuem uma quantidade enorme de terminais nervosos, que se comunicam com cada um dos chacras de nosso corpo.

O estalo dos dedos se dá sobre o Monte de Vênus (parte gordinha da mão) e dentre as funções conhecidas pelas entidades, está a retomada de rotação e freqüência do corpo astral; e a, descarga de energias negativas.

PORQUE OS GUIAS ESTALAM OS DEDOS?





Em nossas mãos, assim como em nossos pés, existem os chacras menores que correspondem aos chacras principais, ligados através dos meridianos (fios energéticos que interligam os chacras principais aos chacras menores).

O ato de friccionar os dedos através dos estalar de dedos, ativa a rotação dos vórtices gerando equilíbrio na frequência energética. A manipulação destes estalar tem a variação compatível com o fluxo energético natural do corpo, ou seja, com a mão esquerda são manipuladas as energias negativas através da atração da polaridade (esquerda, negativa) dissolvendo energias condensadas e negativas presentes no campo aurico e com a mão direita são feitas manipulações energéticas de polaridade positiva reenergizando, curando, equilibrando e potencializando o campo energético.

As entidades podem utilizar destes recursos tanto nos consulentes como em seus próprios médiuns.

Geralmente vemos as entidades estalarem os dedos momentos antes de iniciar o passe onde potencializam a rotação dos chacras da mão do médium para melhor conduzir a energia que será direcionada ao consulente.

Esta é uma das funções do estalar de dedos porém, outra função pouco comentada e muito utilizada é a manipulação dos estalar de dedos como comando de pulsos energéticos, onde as entidades alcançam os níveis constantes no duplo etérico das pessoas.

O duplo etérico guarda em si impressões de importancia de até sete encarnações passadas. Estas impressões podem ser boas ou ruins. Muitas pessoas sofrem com neuras, medos, dificuldades comportamentais, etc., às quais não encontram explicações aparentes. Através da analise realizada pela entidade, a causa para tais comportamentos e desequilíbrio é encontrada em algum dos níveis do duplo, o qual deverá ser tratado para que a pessoa possa se curar. Nestes casos, os estalar de dedos atuam como pulsos energéticos direcionando a energia para o nível em desequilibrio.

Encontramos esse tipo de manipulação nos trabalhos apométricos, em sessões de regressão e também nos trabalhos realizados pelas entidades de Umbanda.

Através deste tipo de tratamento efetuado de cura e libertação dos níveis constante no duplo é que as entidades alcançam tantas curas.

Conforme imagem postada, vocês perceberam que na mãos são encontrados todos os pontos energéticos correspondentes aos chacras principais. Muitas pessoas trazem a preocupação ao visitar um local desconhecido, que não se coloque a mão em suas cabeças ignorando o fato de que seu chacra coronário pode ser atigindo através de suas mãos. Sendo assim, fica o alerta: Ao visitar um local onde não inspira confiança, seu cuidado não deve se hater apenas a sua cabeça mas, também às suas mãos.

FONTE:http://www.tucal.com.br/

segunda-feira, 20 de abril de 2015





Meus filhos e Mediuns quebrar uma corrente numa gira ainda mais no começo entra Quimbas que tiram energia desgasta a corrente e trás doenças a mãe e pai do Terreiro bem como aos demais filhos. Por isso meus filhos fiquem quietos na corrente com as mãos dadas. Evitem andarem de um lado para outro principalmente nas rezas. Por humildade e caridade. Pais e mães do Axe orientem seus fios não fazerem isso.

FONTE: Sabedoria de Preto Velho