quinta-feira, 21 de abril de 2016

Caboclo na cultura brasileira e na Umbanda

O Caboclo das Sete Encruzilhadas, incorporado no seu médium Zélio Fernandino de Moraes, foi a primeira entidade a se manifestar na Umbanda, fundando a religião. Neste dia, foi observado que ele estava com vestes de sacerdote católico e, plasmado como tal, quando questionando por um médium clarividente sobre esta condição, o Caboclo afirmou ter sido, em uma de suas encarnações, o Frei Gabriel de Malagrida e que, na última encarnação, havia tido a oportunidade de encarnar como um índio brasileiro, e que era como índio que ele queria ser identificado.
Assim, em sua primeira manifestação de Umbanda, a entidade se manifestou como Caboclo e ao mesmo tempo ficou claro que desta forma se apresentou por opção (e não por falta de opção).Identificou-se como um espírito muito esclarecido e que facilmente seria reconhecido como autoridade no mundo material, mas preferiu a identificação humilde e despersonalizada de “caboclo brasileiro”. Surge então o questionamento do que realmente quer dizer a palavra Caboclo em nossa cultura e na Umbanda, de forma mais específica.
O dicionário Aurélio nos diz que Caboclo é:
1. Mestiço de branco com índio; cariboca, curiboca. 2. Antiga designação do indígena. 3. Caboclo de cor acobreada e cabelos lisos; caburé. 4. Sertanejo.
Um dos maiores pesquisadores, se não o maior, de nossa cultura, folclore e suas influências, Luiz da Câmara Cascudo, em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, onde aparece o verbete Caboco (assim mesmo sem o l de caboclo), descreve:
O indígena, o nativo, o natural; mestiço de branco com Índia; mulato acobreado, com cabelo corrido. Morais fazia provir de cobre, cor de cobre, avermelhado. Diz-se comumente do habitante dos sertões, caboclo do interior, terra de caboclos, desconfiado com caboclos. Foi vocábulo injurioso e El-Rei Dom José de Portugal, pelo alvará de 4 de abril de 1755, mandava expulsar das vilas os que chamassem os filhos das indígenas de caboclos: “Proíbo que os ditos meus vassalos casados com as índias ou seus descendentes sejam tratados com o nome de cabouçolos, ou outro semelhante que possa ser injurioso.” Macedo Soares registra a sinomínia tradicional do caboclo: caburé, cabo-verde, cabra, cafuz, curiboca, cariboca, mameluco, tapuia, matuto, restingueiro, caipira. Da antiga denominação de cabocloaos mestiços avermelhados ainda há a imagem da cor maribondo caboclo, boi caboclo, formiga cabocla, pomba cabocla, todas com tonalidades vermelhas ou tijolo. Era até fins do séc. XVIII, o sinônimo oficial de indígena. Hoje indica o mestiço e mesmo o popular, um caboclo da terra. Discute-se ainda a origem do vocábulo, indígena ou africano. Folclore: Gustavo Barroso (Ao som da Viola, Rio de Janeiro, 1921) fixou o “Ciclo dos Caboclos” (403-419) com documentário poético e anedotal.
O caboclo no folclore brasileiro é o tipo imbecil, crédulo, perdendo todas as apostas e sendo imcapaz de uma resposta feliz ou de um ato louvável. Gustavo Barroso lembra que essa literatura humilhante é toda de origem branca, destinada a justificar a subalternidade do caboclo e o tratamento humilhante que lhe davam. Os episódios vem, em boa percentagem de fontes clássicas, com a mera substituição da vítima escolhida. O caboclo é o Manuel tolo, o Juan tonto europeu, aclimatado no continente americano com o nome de João bobo, uma espécie de sábio de Gothan. Há muitas histórias em louvor do caboclo, sua inteligência, registradas no citado livro, assim como no de José Carvalho (um matuto cearense e o caboclo do Pará, 9-15, Belém, 1930). Namoro de caboclo é aquele em que a namorada ignora quem é seu apaixonado. Num outro episódio entre o caboclo, o padre e o estudante, repete-se o motivo do melhor sonho (Mt-1626, de Aarne-Thompson). Quem tiver o mais bonito sonho comerá o queijo. Pela manhã o padre descreveu a ascensão para o Céu; o estudante sonhara com o próprio paraíso. O caboclo informou que, ven¬do um dentro do Céu e outro já perto, comera o queijo, porque ambos não mais precisariam. E tinha comido mesmo (Gustavo Barroso, 413-414). É a fábula XVII do Displina Cléricalis, de Padre Afonso (1062-1110), entre dois burqueses e um camponês, a caminho de Meca. Um dos divulgadores da novelística ita¬liana foi Geraldo Sintio (um romano, numero 3 do Ecatommt), que a diz sucedida em Roma, no ano de 1527, com um filósofo, um astrólogo e um soldado. O tema está em quase todos os idiomas, formas e literaturas, dispensando bibliografia ilustradora. O caboclo aceitou, com a sujeição física, essa popularidade pejorativa para oficializar a inferioridade de seu estado (Luiz da Câmara Cascudo, 30 Estória Brasileiras, “O Preço do Sonho”), 30-32, Porto, 1955.
Deveríamos escrever Caboco, como todos pronunciam no Brasil, e não Caboclo, convencional e meramente letrado. Caboco vem de Caá, Mato, Monte, Selva; e Boc, Retirado, Saído, Provindo, Oriundo do Mato, exata e fiel imagem da impressão popular, valendo o nativo, o indígena, caboco´bravo, o roceiro, o matuto´bruto, chaboqueiro, bronco, créduo, mas, vez por outra, astuto, finório, disfarçado, zombeteiro. Cabôco, e a pronuncia nacional, mesmo para os letrados que escrevem “caboclo”, Caá-Boc, tirado ou procedente do mato, registra Mestre Thedóro Sampaio.
Depois de toda esta explicação de Câmara Cascudo, fica claro o que quer dizer a figura do Caboclo em nossa cultura. Com a dizimação do índio em nosso convívio, o tempo vai dissociando sua imagem da palavra e cada vez mais o vocábulo caboclo vai se tornando na figura de linguagem um homem simples.
Os espíritos que militam na Umbanda se dividem em falanges ou povos, sejam de caboclos ou de Pretos Velhos, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Crianças, Ciganos, Exu e Pombagira.  Vemos uma identificação despersonalizada de ego que caracteriza aqueles que estão acima da identidade individual, ou seja, as entidades na maioria das vezes não usam seus nomes de batismo, estando aquém de qualquer identificação; transcenderam a individualidade. São muitos espíritos que usam o mesmo nome como: Pena Branca, Pena Verde, Pena Roxa, Pena Vermelha, Pena Dourada, Flexa Branca, Folha Branca, Sete Flexas, Sete Penas, Sete Folhas, Sete Montanhas, Ventania, Rompe Mato, Urubatão, Ubirajara, Aimoré, Tupinambá, e outros.  Chegamos até a encontrar num mesmo Terreiros dois ou mais Caboclos que usam o mesmo nome, pois não é seu nome como indivíduo, e sim, um nome que identifica seu trabalho e a força que o rege. Por exemplo: Pena Branca é de Oxóssi e Oxalá; Pena Dourada é de Oxóssi e Oxum; Sete Montanhas de Xangô; Ubirajara de Oxóossi e Ogum, etc.
Caboclo é um Mistério na Umbanda, uma linha de trabalho, uma falange, um grau, o identificador de entidades que trabalham nesta vibração que está ligada ao Orixá Oxossi, o Orixá das Matas. Existem Caboclos de todos Orixás e todos têm algo em comum que os identificam como tal presentes em sua forma de apresentação.
Nossa essência, nosso espírito, não têm cor e nem raça. Muitos podem entender o que isto quer dizer, mas viver assim só é possível para aqueles que já se desapegaram da matéria e de sua individualidade, não vivem ou trabalham apenas para si e sim para o todo. Assim são os Caboclos. Poderíamos escrever páginas e páginas falando sobre o Caboclo na Umbanda, mas talvez o mais importante é que eles não sejam subestimados, pois apenas uma coisa é certa: embora não pareça, todos eles são muito mais que Caboclos. Fato que apenas não é visível ao leigo, pois como Caboclos, foi apenas a forma que eles escolheram para se manifestar.
FONTE:http://umbandaeucurto.com/alexandre-cumino

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

ASSOBIOS E BRADOS



Quem nunca viu caboclos assobiarem ou darem aqueles brados maravilhosos, que parecem despertar alguma coisa em nós?

Muitos pensam que são apenas umas repetições dos chamados que davam nas matas, para se comunicarem com os companheiros de tribo, quando ainda vivos. Mas não é só isso.

Os assobios traduzem sons básicos das forcas da natureza.
Estes sons precipitam assim como o estalar dos dedos, um impulso no corpo Astral do médium para direcioná-lo corretamente, afim de liberá-lo de certas cargas que se agregam, tais como larvas astrais, etc.

Os assobios, assim como os brados, assemelham-se à mantras; cada entidade emite um som de acordo com seu trabalho, para ajustar condições especificas que facilitem a incorporação, ou para liberarem certos bloqueios nos consulentes ou nos médiuns.
ESTALAR DE DEDOS
Por que as entidades estalam os dedos, quando incorporadas?

Esta é uma das coisas que vemos e geralmente não nos perguntamos, talvez por parecer algo de importância mínima.

Nossas mãos possuem uma quantidade enorme de terminais nervosos, que se comunicam com cada um dos chacras de nosso corpo.

O estalo dos dedos se dá sobre o Monte de Vênus (parte gordinha da mão) e dentre as funções conhecidas pelas entidades, está a retomada de rotação e freqüência do corpo astral; e a, descarga de energias negativas.

PORQUE OS GUIAS ESTALAM OS DEDOS?





Em nossas mãos, assim como em nossos pés, existem os chacras menores que correspondem aos chacras principais, ligados através dos meridianos (fios energéticos que interligam os chacras principais aos chacras menores).

O ato de friccionar os dedos através dos estalar de dedos, ativa a rotação dos vórtices gerando equilíbrio na frequência energética. A manipulação destes estalar tem a variação compatível com o fluxo energético natural do corpo, ou seja, com a mão esquerda são manipuladas as energias negativas através da atração da polaridade (esquerda, negativa) dissolvendo energias condensadas e negativas presentes no campo aurico e com a mão direita são feitas manipulações energéticas de polaridade positiva reenergizando, curando, equilibrando e potencializando o campo energético.

As entidades podem utilizar destes recursos tanto nos consulentes como em seus próprios médiuns.

Geralmente vemos as entidades estalarem os dedos momentos antes de iniciar o passe onde potencializam a rotação dos chacras da mão do médium para melhor conduzir a energia que será direcionada ao consulente.

Esta é uma das funções do estalar de dedos porém, outra função pouco comentada e muito utilizada é a manipulação dos estalar de dedos como comando de pulsos energéticos, onde as entidades alcançam os níveis constantes no duplo etérico das pessoas.

O duplo etérico guarda em si impressões de importancia de até sete encarnações passadas. Estas impressões podem ser boas ou ruins. Muitas pessoas sofrem com neuras, medos, dificuldades comportamentais, etc., às quais não encontram explicações aparentes. Através da analise realizada pela entidade, a causa para tais comportamentos e desequilíbrio é encontrada em algum dos níveis do duplo, o qual deverá ser tratado para que a pessoa possa se curar. Nestes casos, os estalar de dedos atuam como pulsos energéticos direcionando a energia para o nível em desequilibrio.

Encontramos esse tipo de manipulação nos trabalhos apométricos, em sessões de regressão e também nos trabalhos realizados pelas entidades de Umbanda.

Através deste tipo de tratamento efetuado de cura e libertação dos níveis constante no duplo é que as entidades alcançam tantas curas.

Conforme imagem postada, vocês perceberam que na mãos são encontrados todos os pontos energéticos correspondentes aos chacras principais. Muitas pessoas trazem a preocupação ao visitar um local desconhecido, que não se coloque a mão em suas cabeças ignorando o fato de que seu chacra coronário pode ser atigindo através de suas mãos. Sendo assim, fica o alerta: Ao visitar um local onde não inspira confiança, seu cuidado não deve se hater apenas a sua cabeça mas, também às suas mãos.

FONTE:http://www.tucal.com.br/

segunda-feira, 20 de abril de 2015





Meus filhos e Mediuns quebrar uma corrente numa gira ainda mais no começo entra Quimbas que tiram energia desgasta a corrente e trás doenças a mãe e pai do Terreiro bem como aos demais filhos. Por isso meus filhos fiquem quietos na corrente com as mãos dadas. Evitem andarem de um lado para outro principalmente nas rezas. Por humildade e caridade. Pais e mães do Axe orientem seus fios não fazerem isso.

FONTE: Sabedoria de Preto Velho

sábado, 10 de janeiro de 2015

JURAMENTO UMBANDISTA

Ao abraçar a fé umbandista, eu juro solenemente perante Deus e os Orixás: Aplicar os meus dons de mediunidade somente para o bem da humanidade; Reconhecer como irmão de sangue, os meus irmãos de crença; Praticar com amor a caridade; Respeitar as leis de Deus e a do homem, lutando sempre pela causa da JUSTIÇA e da VERDADE; Não utilizar e nem permitir a utilização dos conhecimentos adquiridos num terreiro para prejudicar a quem quer que seja.
Salve a Umbanda, Salve os Sagrados Orixás!

sábado, 3 de janeiro de 2015

O QUE É UM BATIMENTO COM FOLHAS?



O QUE É UM BATIMENTO COM FOLHAS?
As ervas também são usadas na forma de ramas e galhos que são "batidos" nos consulentes, com o objetivo de desprender as cargas negativas e larvas astrais que possam estar aderidos a estes. Quando feito pelos médiuns incorporados, geralmente com os caboclos (mas pode acontecer com outras linhas de trabalho, em conformidade à característica ritual de cada terreiro), o movimento em cruz na frente, costas, lado direito e lado esquerdo, associado aos cânticos, aos silvos e assobios através da magia do sopro e do som, que criam verdadeiros mantras etéreos-astrais, que são poderosos desagregadores de fluídos, consagra-se potentes campos de forças curadores. As folhas depois de usadas devem ser partidas e despachadas junto a algum lugar de vibração da natureza virginal, de preferência direto sobre o solo, sem acendermos velas dispensando-se a necessidade de quaisquer elementos poluidores. No impedimento de assim se proceder, coisa comum nos centros urbanos onde se localizam a maioria dos templos de Umbanda, simplesmente deve-se recolher adequadamente para posterior coleta pública de lixo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O eu cindido no fenômeno mediúnico

Extraído do excelente livro Psicologia e Mediunidade (clique no título para baixá-lo) de Adenáuer Novaes
Todo indivíduo que exerce a mediunidade ostensivamente e por muito tempo flexibiliza naturalmente a relação entre a consciência e o inconsciente de tal forma que as portas deste último ficam por demais abertas. É natural que corra o risco de assimilar os símbolos existentes no inconsciente, vivenciando-os novamente.
ego não só fica exposto às influências dos complexos como também à maior possibilidade de identificar-se com personasvividas em outras encarnações. A identificação do ego com umapersona* do passado reencarnatório pode ocorrer sempre que uma experiência emocionalmente forte tenha sido vivida pelo espírito sem que ele tenha conseguido dela desligar-se.
A mediunidade exercida com equilíbrio exige um ego maduro e estruturado** a fim de que essa possibilidade seja reduzida.
Quando ela ocorre dá-se uma espécie de cisão no ego que fica dividido entre a realidade atual e os conteúdos inconscientes. Um ego maduro e estruturado é aquele que, dentre outras qualidades, guarda uma estreita relação com o Self, é auto-determinado, sabe evitar identificar-se com a psiquê coletiva, bem como separa sua vida privada de sua tarefa mediúnica. O médium cujo ego é maduro não se auto-intitula missionário nem aceita tal condição.
Não vive exclusivamente este papel, por conta da necessidade de viver a vida na matéria, imerso nas ocupações normais da sociedade encarnada.
A cisão do eu, típica na esquizofrenia, pode ocorrer no fenômeno mediúnico em face da profunda conexão entre mentes que se alinham numa mesma freqüência, quando uma delas sucumbe à outra. Na esquizofrenia a cisão não tem o devido controle nem é consciente ao indivíduo, que, impossibilitado de qualquer coisa fazer, se vê em realidades distintas e conflituosas. Num momento se vê envolvido por uma experiência vivida no passado reencarnatório, noutro se vê em contato com entidades desencarnadas e noutro ainda se percebe vivendo na realidade atual. Muitas vezes as três experiências emocionais se juntam promovendo um grande transtorno psíquico. No fenômeno mediúnico não é muito diferente, porém o eu que se cinde não perde o domínio sobre aquele que deseja se comunicar, nem tampouco sobre suas próprias experiências pregressas.
Mesmo nos momentos de lucidez e de efetivo contato com a personalidade atual, consciente da realidade, o portador da esquizofrenia sabe que sua mente vive em constante instabilidade, na qual a cisão pode ser inevitável.
No transtorno psíquico, a cisão do eu caracteriza-se pela perda do controle sobre a consciência, onde o egonão consegue o domínio de seus conteúdos, isto é, torna-se incapaz de manter-se como ordenador daquele campo. No fenômeno mediúnico, muito embora possa haver perda do controle sobre a consciência, o próprio médium, temporariamente desconectado de parte dela (córtex), mantém o controle sobre o que ocorre. A consciência é mantida, porém a energia psíquica não está totalmente voltada para seus conteúdos, o que caracteriza um estado alterado dela. Essa cisão decorre de um poderoso mecanismo de desconexão do ego, que perde sua autonomia pelo predomínio que permite a outro ego expressar-se.
Quando o ego se identifica com uma ou mais personas (ego-identidade) , ou quando se conecta com um intenso complexo emocional inconsciente, pode também, caso não haja controle do médium, haver uma cisão.
A cisão do ego-identidade presente decorre de uma fragilidade por conta da não aceitação de si mesmo e de uma identificação externa não consciente. A identificação do ego atual com uma persona passada também decorre da intensidade como ela foi vivida, da importância que atribui a ela e das influências espirituais que ele atrai.
O fortalecimento do ego-identidade é fundamental para que aquela identificação não se dê ou para que tenha pouca influência.
Esse fortalecimento, que será importante para evitar a cisão do eu (ego), é favorecido pelos estímulos maternos e paternos na idade infantil (primeira infância) até a adolescência. Estimular é identificar reais qualidades na criança e verbalizar a ela sua importância e uso adequado de suas habilidades.
No início da puberdade (geralmente a partir dos 9 anos) a reencarnação do espírito ainda está por se completar e o egoidentidade que ele está formando ainda se encontra tímido e não constituído integralmente. É nessa fase que o indivíduo se torna suscetível aos estímulos oriundos de figuras referenciais (pai, mãe, irmãos mais velhos, amigos etc.), como também propenso à assimilação dos componentes característicos de personas de vidas passadas.
A mediunidade explícita nesta fase tende a contribuir para a cisão do eu, se não devidamente educada. A criança que a apresente deve ser devidamente orientada, sem repressões dogmáticas, nem estímulo ao uso irresponsável.
Nas esquizofrenias e em certas psicoses nas quais o eu se encontra cindido, a mediunidade também é componente que contribui para que tal cisão ocorra. Nelas a educação mediúnica deve ser feita a partir da provocação de um temporário bloqueio.
________________________________
* O termo persona deriva das máscaras que os atores gregos usavam para os diversos papéis ou personalidades que interpretavam. É o aspecto ideal do eu que se apresenta ao mundo e que se forma pela necessidade de adaptação e convivência pessoal. É o que se pensa que é. Muitas vezes a persona é influenciada pela psiquê coletiva confundindo nossas ações como se fossem individuais. Ela representa um pacto entre o indivíduo e a sociedade, sendo um conjunto de personalidades ou uma multiplicidade de pessoas numa só. A identificação do ego com a persona, quando ocorre, provoca o afastamento de nossa identidade pessoal, isto é, corremos o risco de não sabermos quem realmente somos. (Conceito extraído do livro ´Sonhos:mensagens da alma´, do autor)